IA e saúde
- rbarbera2
- 2 de ago. de 2019
- 5 min de leitura

IA e os sistemas de saúde
Tenho observado muita excitação em torno de como a inteligência artificial (IA) está mudando os sistemas de saúde. Muitas tecnologias de IA estão surgindo para ajudar a simplificar processos administrativos e clínicos, em prol de melhorar a efetividade do atendimento e tratamento da saúde.
De acordo com a empresa de capital de risco Rock Health, 121 empresas de IA e de aprendizado de máquinas, levantaram cerca de 2,7 bilhões de dólares em investimentos, entre 2011 e 2017, abordando mais de duzentos “negócios” específicos.
O campo da IA na saúde é extremamente amplo, abrangendo, inclusive, mais bem-estar para obtenção de diagnósticos e melhoria das tecnologias operacionais. Entretanto, é sabido que os aplicativos de IA para saúde são mais especializados e normalmente executam apenas uma única tarefa.
Em artigo da Accenture, (de 10 de maio de 2018) aparecem relacionados dez dos mais promissores aplicativos de IA e que poderão criar impacto de até 150 bilhões de dólares em economias anuais, até 2026, para o sistema público de saúde norte americano.
Os aplicativos são específicos e aparecem classificados com base na probabilidade de adoção, e no potencial de economia anual. Fica evidente que a IA, atualmente, já cria enorme valor no sentido de tornar o pessoal clínico, da linha de frente, mais produtivo, e de possibilitar maior eficiência nos processos de retaguarda (back-end).
Embora os dados sejam de 2018, atualmente, já se observa ganhos notáveis, especialmente, na
detecção precoce de tumores em exames de imagem. Os algoritmos têm sido muitas vezes mais sensíveis e precisos do que os olhos dos radiologistas, apontando alterações literalmente invisíveis e sugerindo, inclusive, a probabilidade da lesão detectada vir a se tornar um tumor maligno.
Alguns exemplos são citados:
- Análise de imagens. Aptidão para melhorar a eficiência da análise de imagens, sinalizando anomalias específicas com rapidez e precisão, para a revisão de um radiologista. Já em 2011, pesquisadores da Universidade de New York descobriram que esse tipo de análise automatizada poderia encontrar e combinar nódulos pulmonares específicos (em imagens de Tomografia Computadorizada(TC) de tórax) entre 62% e 97% mais rápido, do que um painel de radiologistas. Isto significa uma economia em torno de 3 bilhões de dólares anuais, dando aos radiologistas mais tempo para se concentrarem em revisões que exijam avaliação mais profunda e complexa.
- Cirurgia robótica assistida por IA. Na cirurgia ortopédica, uma aplicação de robótica assistida por IA pode analisar dados de prontuários médicos pré-operatórios, para orientar, fisicamente, o instrumento do cirurgião, em tempo real, durante um procedimento. Também pode usar dados de experiências cirúrgicas reais, para “alimentar” novas técnicas cirúrgicas. Há técnicas robóticas que já reduzem em cerca de cinco vezes, as complicações cirúrgicas, e pós-cirúrgicas, se comparadas aos procedimentos tradicionais, conduzidos pelos cirurgiões. Quando aplicada adequadamente à cirurgia ortopédica, o artigo afirma que a cirurgia robótica assistida por IA, também poderia gerar uma redução de mais de 20%, no tempo de permanência dos pacientes no hospital após a cirurgia, resultando em cerca de 40 bilhões de dólares, em economia anual.
- Correção de doses. As técnicas de IA também estão sendo aplicadas complicado e dispendioso problema dos erros de dosagem - onde a IA poderia gerar uma economia de cerca de 16 bilhões, anuais. Em 2016, um teste inovador, na Califórnia, mostrou que uma fórmula matemática desenvolvida com a ajuda da IA, determinou corretamente a dosagem de drogas imunossupressoras, para serem administradas em pacientes de transplantes de órgãos. A determinação da dose, tradicionalmente, têm sido obtida por uma combinação de variáveis personalizadas (paciente dependentes) e de “adivinhações fundamentadas” (educated guesses). E erros de dosagem perfazem 37% de todos os erros médicos evitáveis. O exemplo é poderoso, considerando-se que a correta dosagem é fundamental para garantir determinado “enxerto”, não seja rejeitado após um transplante de órgão.
- Assistentes “inteligentes”. Também estamos começando a ver o potencial de assistentes virtuais de enfermagem com inteligência artificial para ajudar os pacientes. Por exemplo, “Molly” é um avatar de enfermeira feito com IA, usado pela Universidade da Califórnia – São Francisco (UCSF) e pelo National Health Service (NHS) do Reino Unido, para interagir com os pacientes, fazer perguntas sobre sua saúde, avaliar seus sintomas e direcioná-los para o ambiente de atendimento, de forma mais eficiente. Os estudos estimam que os assistentes de enfermagem, com IA, poderiam economizar cerca de 20 bilhões de dólares anualmente, economizando 20% do tempo que as enfermeiras gastam em tarefas de manutenção de pacientes.
- AI nos bastidores. A IA também se aplica a ajudar a gerenciar problemas e ineficiências dispendiosas do back-office dos sistemas e serviços de saúde. Ainda em 2019, atividades que não têm nada a ver com atendimento ao paciente, consomem mais da metade da carga de trabalho de um enfermeiro e quase um quinto das atividades médicas. As tecnologias baseadas em IA, como a transcrição de voz para texto, podem melhorar o fluxo de trabalho administrativo e eliminar atividades demoradas, como escrever anotações de gráficos, preencher prescrições e fazer pedidos de testes, para cada paciente. Estas aplicações poderiam economizar por volta de 18 bilhões, para o setor, anualmente.
- Detecção de anomalias. Erros e fraudes são um problema igualmente dispendioso para as organizações de saúde e também para as seguradoras. A detecção de fraude tradicionalmente baseia-se em uma combinação de análises computadorizadas (baseadas em regras) e manuais de alegações médicas. É um processo demorado que depende de ser capaz de detectar anomalias rapidamente, logo após o incidente ocorrer, a fim de poder intervir. As seguradoras de saúde estão usando IA (redes neurais) para pesquisar as reivindicações do Medicare, relacionando-as a padrões associados a fraudes de reembolso médico. Estima-se que a IA, neste processo, poderia gerar em torno de 17 bilhões de dólares em economia anual, melhorando a velocidade e a precisão da detecção de fraudes nos pedidos do Medicare.
- Segurança. Além da atividade fraudulenta, as violações de dados (via ransomware) como o WannaCry, ou Petya (e seus similares), transformaram a segurança cibernética numa grande e custosa preocupação para as organizações de saúde. Há estimativas que apontam que as violações de segurança nos serviços de saúde já custaram cerca de 400 dólares, por registro de paciente. Portanto, o uso da IA para monitorar e detectar interações anormais com dados proprietários poderia gerar uma economia anual de cerca de 2 bilhões de dólares, reduzindo as violações dos registros de saúde.
À medida que as tecnologias de inteligência artificial se tornem mais relevantes e prevalentes, as organizações de assistência médica terão que investir naquelas que ofereçam mais valor. Os usos da IA para o julgamento clínico precisarão de tempo, para inspirarem a confiança dos profissionais médicos, e enraizarem-se de maneira relevante nas políticas públicas. Mas os aplicativos de IA que podem oferecer o máximo de valor hoje (cirurgia assistida por IA, diagnóstico precoce de tumores em exames de imagem, enfermeira virtual, fluxo de trabalho administrativo) já estão sendo priorizados, pelo menos nos hospitais dos centros mais desenvolvidos.
Aqui no Brasil - o país dos absurdos – a população continua tentando descobrir o significado das palavras civilização, respeito, deveres e direitos.
Me sinto reduzido ao humilde papel de simples torcedor, aliás o que me incomoda profundamente. Enquanto isto, torçamos para que algum milagre se processe na figura do Presidente da República, de modo a que ele passe a atrapalhar um pouco menos. Temos gente muito boa e que sabe exatamente o deve ser feito. Basta que ele não perturbe tanto e os deixe trabalhar.
Não me refiro tanto ao conteúdo, uma vez que este senhor foi eleito dizendo as coisas que disse. Mas é impressionante como tem sido tosca, desnecessária, extemporânea e inconveniente, a forma como ele se comunica. Outro dia assisti a um renomado jornalista explicando que “este comportamento do presidente é uma estratégia, para se manter na mídia”. Acho que nosso presidente está mais para terraplanista, do que para estrategista.
Bom fim de semana,
Abraços a todos.





Comentários